Existe um texto da Marina Colassati que se chama, "EU SEI, MAS NÃO DEVIA", ele diz incialmente:
"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.(...)"
E termina assim:
"(...)A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma."
E esse texto é muito presente em minha vida em tantos momentos que as vezes eu penso já tê-lo decorado, de tantas vezes que já li. E mais uma vez esse texto vem fazer parte de minha vida nesse momento de transição... Em todos os meus momentos de dúvida eu sempre leio ele, pois assim eu não esqueço que eu nunca posso me acostumar a determinadas coisas.
Eu não posso deixar de aproveitar oportunidades em minha vida, porque estou acostumada com a minha cidade, a morar com a minha família, a ter tudo de forma relativamente fácil e ao mesmo tempo sem a minha direta participação.
E não existe coisa melhor no mundo do que acreditar no seu próprio potencial. Decidir morar em outra cidade não foi fácil, mas ao mesmo tempo eu estava acostumada a sempre fazer o que a minha mãe desejava, ou o que ela achava melhor pra mim... Nesse momento eu estou fazendo o que é melhor pra mim, a partir do que eu penso, do que eu sinto, do que eu quero...
Eu não quero mais ser acostumada a nada, porque as pessoas que se acostumam, são chatas, são medíocres, egoístas e vivem a vida como se estivessem esperando pela morte.
Eu quero sim viver do jeito que eu sou, gostar da música que eu quiser, falar o que eu penso, ajudar quem eu acho importante, me importar com o que eu acredito e mais ainda defender os meus ideiais... Eu quero amar apenas pelo fato do amor existir, msmo com todos os sofrimentos que a rosa do amor traz consigo, porque no final das contas ninguém aprende nada quando está 100% feliz.
Mas o que eu posso dizer é que pela primeira vez eu estou me sentindo acostumada com uma coisa muito boa... e que eu desafio alguém a dizer algo que seja melhor do que acostumar-se a não se acostumar com nada.
Seja você também ativo de sua vida!
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